Memórias de julho!
Clube de Leitura: uma alternativa para o incentivo à formação leitora.
Ainda é tempo de partilhar aqui a alegria que senti na minha primeira semana de julho: alegria que brota da participação na X Semana de Letras da Feclesc. Um encontro entre a escola básica e a universidade não é fácil de se ver nessa correria da vida.
Primeiro, é preciso agradecer a um recado bem dado do meu amigo, também professor, Welber, ele sempre acreditou que essa ideia de Clube de Leitura iria dar certo. Lembro bem que quando começamos logo perguntou o dia do encontros para sonhar conosco. O recado veio de uma professora que, na graduação, soube despertar em mim o desejo maior de formar leitores amantes da literatura. Eu, por exemplo, em suas aulas, comecei logo a amar Manoel de Barros e tantas outros poetas e cronistas que aqui não caberia dizer. Ao ouvir o Welber emocionado chamando-me para apresentarmos um trabalho sobre o Clube de Leitura não soube recusar, lembrei-me de como a professora Valdenia marcou-me de tantos modos positivos, de como a FECLESC sempre foi a minha casa na cidade.
Aceitamos o desafio e escrevemos o nosso resumo, resultado do Projeto: De mãos dadas com escritores da terra e do Clube de Leitura. O coração ardeu mais quando soube que além do trabalho também coordenaríamos uma roda de conversa intitulada "Clube de Leitura: uma alternativa para o incentivo à formação leitora. E o mais legal foi poder convidar àqueles que fazem o Clube de Leitura existir: os alunos e alunas que aceitaram na escola sonhar com a cultura, a leitura, a arte... Afinal, até a equipe do coral esteve conosco recheando e colocando harmonia na conversa com uma boa música!
Que bonito ver a minha professora sorrindo com aquelas crianças aplicando tantas coisas que na FECLESC escutei. Na verdade, eu não sabia que eu tinha feito uma parte do dever de casa direito. Parece que fiz. Essa certeza senti na voz da aluna Annemberg, 9º ano, defendendo a leitura dos clássicos. Havia poesia na voz dela. Convencia. Eu quis pegar todas as palavras, mas não consegui, pois parece que a poesia é feito música e menina sapeca: ela passeia pelos ouvidos e escapa sem avisar.
Mas, tinha uma aluna da organização do evento que gravou. E posso até postar aqui depois. A Luyanne, aluna do 7º ano, uma pequena e grande escritora que descobri na sala de aula, falou da paixão dela pela leitura e escrita e, claro, entoou poeticamente, a música que ela mesma compôs, além de anunciar o livro que deseja publicar. Teve gente que achou que tinha pouca gente no auditório. Mas eu não achei. Aprendi com Manuel de Barros a olhar as coisas miúdas com significado. Aprendi com Jesus também, quando perde tempo no caminho com dois discípulos, por exemplo, na conversa nos caminhos de Emaús. Acredito que foi uma conversa que tivemos. E que conversa boa!. Meu avô que adorava conversar na calçada de casa no sertão e criticava a cidade porque dizia que nela não se conhecia nem os vizinhos, se aqui ainda estivesse, ia se surpreender se visse a gente ali, conversando sobre, sobre como se encantar com as páginas dos livros, como fazer parte de uma comunidade de leitores. Ainda há lugares na cidade que se consegue conversar, conhecer e amar as pessoas. Como filha da FECLESC, saboreei com voracidade cada instante que pude participar. Acho que o sentimento de alegria que tive foi semelhante ao sentimento que tinha na infância quando chovia no meu sertão, na minha Bela Vista Sitiá ou quando escutava as histórias do meu avô.
Choveu naqueles dias na I Jornada de Ensino de Língua Portuguesa da FECLESC/UECE e X Semana de Letras da Feclesc - Linguagem e Cultura: Leituras Cruzadas.
Choveu esperança para um ensino de língua e literatura permeado de significados.
Revi autores/as, professores/as, alunos/as, amigos/as que os muros da escola e da universidade, na correria do cotidiano, muitas vezes, esconde e separa. Não estava só... Estava rodeada de rostos que decidiram, assim como o menino de Manoel de Barros, "carregar água na peneira a vida toda!"
Gratidão à: Welber Oliveira (pelo recado bem dado, pela parceria), Duda França (coordenadora do Fundamental II que também sonha conosco); Anne Pereira (9º ano); Lais Torres (9º ano); Zaira Dantas e Monalisa Rocha (7º ano); Bruno Paulino (autor / amigo que já teve o livro adotado no CVA); Carmem Silvia (pelo encanto da voz e disponibilidade para somar conosco); as amigas Isabela Feitosa; Nathalia Bezerra; Nani Pereira (que não esteve conosco, por está nas oficinas, mas saiu curiosa para ouvir a conversa), aos alunos e alunas da organização e tantos outros nomes que, infelizmente, não consigo lembrar e até posso dizer que meu avô iria sorrir e reafirmar que na cidade se esquece mais nomes do que no sertão.
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