quinta-feira, 9 de julho de 2015

"O Sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que se é sonho, é coisa delicada, do coração!" (Rubem Alves)



EU PROFESSORA... REINVENTANDO CAMINHOS E ALIMENTANDO SONHOS!

EU PROFESSORA... Sou amante da leitura dos livros e da vida, encantada pelas brincadeiras e cantigas de crianças que, guardadas na memória, alimentam a utopia de uma educação que defende a vida e a reinventa.  Semelhante a um simples poeta, Manuel de Barros, sou uma “apanhadora de desperdícios”. Diria que “entendo bem o sotaque das águas / Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes. Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis. Tenho em mim um atraso de nascença. Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.”

O gostar de passarinhos não é bem aceito numa sociedade que não consegue mais identificar os sons da natureza tão devastada, nem valorizar a educação, instrumento para transformação das pessoas e do mundo. O meu atraso de nascença, muitas vezes, deixa-me insegura diante dos desafios que enfrento em sala de aula. Mas, quando me percebo como mediadora, ao enxergar as riquezas escondidas em cada aluno/a, consigo trocar as lágrimas por sorrisos. Assim, percebo que sou, antes de tudo, “uma eterna aprendiz”. Não sou uma heroína que tudo sabe e tudo pode realizar, nem gosto de utilizar receitas prontas em sala de aula. Melhor é seguir o que disse Cecília Meireles: “a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada”, pois acredito numa educação que cultiva sonhos e multiplica-os. Diante de um contexto educacional que destrói sonhos vejo que Guimarães Rosa tinha razão quando afirmava que “o correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” Sou professora porque acredito que a educação é o melhor caminho para transformar a vida de tantas pessoas que não acreditam mais em seus sonhos e talentos. Sou professora porque acredito que cada um e cada uma pode reinventar a vida e deixar o mundo mais alegre e colorido, contribuindo com a construção de uma sociedade mais justa, solidária e, sobretudo, uma sociedade que acredita nos desperdícios.

Zilvania Rabelo
Formada em Letras/Literatura – Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central – Feclesc/UECE

Coordenadora da Pastoral Escolar – Colégio Valdemar Alcântara

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