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| EU PROFESSORA... REINVENTANDO CAMINHOS E ALIMENTANDO SONHOS! |
EU
PROFESSORA... Sou amante da leitura dos livros e da
vida, encantada pelas brincadeiras e cantigas de crianças que, guardadas na
memória, alimentam a utopia de uma educação que defende a vida e a reinventa. Semelhante a um simples poeta, Manuel de
Barros, sou uma “apanhadora de desperdícios”. Diria que “entendo bem o sotaque das águas / Dou
respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes. Prezo insetos
mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença. Eu fui aparelhado para gostar de
passarinhos.”
O gostar de passarinhos não é bem aceito numa sociedade que não consegue
mais identificar os sons da natureza tão devastada, nem valorizar a educação,
instrumento para transformação das pessoas e do mundo. O meu atraso de
nascença, muitas vezes, deixa-me insegura diante dos desafios que enfrento em
sala de aula. Mas, quando me percebo como mediadora, ao enxergar as riquezas
escondidas em cada aluno/a, consigo trocar as lágrimas por sorrisos. Assim,
percebo que sou, antes de tudo, “uma eterna aprendiz”. Não sou uma heroína que
tudo sabe e tudo pode realizar, nem gosto de utilizar receitas prontas em sala
de aula. Melhor é seguir o que disse Cecília Meireles: “a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível reinventada”, pois acredito numa educação que cultiva
sonhos e multiplica-os. Diante de um contexto educacional que destrói sonhos
vejo que Guimarães Rosa tinha razão quando afirmava que “o
correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí
afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” Sou
professora porque acredito que a educação é o melhor caminho para transformar a
vida de tantas pessoas que não acreditam mais em seus sonhos e talentos. Sou
professora porque acredito que cada um e cada uma pode reinventar a vida e
deixar o mundo mais alegre e colorido, contribuindo com a construção de uma sociedade
mais justa, solidária e, sobretudo, uma sociedade que acredita nos
desperdícios.
Zilvania Rabelo
Formada em Letras/Literatura –
Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central – Feclesc/UECE
Coordenadora da Pastoral Escolar –
Colégio Valdemar Alcântara


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